O problema de mentir é que isso vai depender de o mentiroso ter uma clara noção da verdade a ser escondida. Nesse sentido, a verdade, mesmo aquela que não aparece em público, tem uma primazia sobre toda falsidade.
Hannah Arendt foi filósofa alemã naturalizou-se norte-americana (1906 - 1975)
Pensei profundamente sobre essa frase de Hannah Arendt. A questão da verdade parece tão distante de nossa realidade: o que recebemos de informações corresponde ou não àquilo que está de fato acontecendo? Falar sobre si mesmo, muitas vezes, se torna uma completa mentira. Como partidária da psicanálise percebo como usamos máscaras e é a árdua tarefa de retirá-las pois, muitas vezes, dependemos delas para sobreviver. Ontem, ouvi o presidente discursando sobre as mudanças a serem realizadas em algumas favelas no Rio de Janeiro através dos recursos do PAC. Fiquei dividida, não sabia o que pensar. Principalmente quando o mesmo se referiu a mudança de autoconceito dos moradores. Então, durante um momento, o repórter que narrava a matéria antecipou a preocupação em aproveitar o momento e inserir metas educacionais nesses ambientes tão excluídos. Acreditei um pouco mais na possibilidade de dar certo a ação do governo. O ser humano precisa aprender para evoluir em suas escolhas, para acreditar ser possível mudanças e pensar por si próprio em sua condição. A banalização do mal, como conceitua a filósofa Hannah Arendt, em minha opinião, está baseada no descaso e marginalização do homem. Nossos problemas sociais são imensos, as diferenças estabelecidas durante anos de corrupção e descaso construíram uma descrença na capacidade do indivíduo de transcender. Mais do que nunca, esgostos reais e imaginários devem ser tratados com interesse e persistencia para encontrar a liberdade de existir plenamente e sem mentiras. Espero, sinceramente, que as pessoas lutem por sua dignidade e não aceitem a barbárie a qual foram relegadas.
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