
Desde minha formação no curso de Psicologia, já se passaram 14 anos. Iniciei minhas atividades alternando o consultório com a saúde pública. Quando fazia o segundo ano apaixonei-me pela psicanálise. Então, a formação nesta área acabou sendo consequencia. No meio do caminho como versou Drummond sempre existem pedras. No meu elas foram tão reais quanto meu empenho em transpo-las. Assim, conheci outros teóricos da Psicologia para compreender o que encontrava em meu percurso. Homens do calibre de Frankl, Wallon e outros no campo educacional como Gardner. Bem, o que quero dizer é que as coisas mudam, os pensamentos evoluem e isto nos torna mais abertos e capacitados para os enfrentamentos de um mundo em completa mudança. Tenho me questionado fortemente quanto a formação de valores éticos, construção de laços afetivos familiares, escolares e sociais. Esta preocupação está aliada a potencialidade espantosa dos meios de comunicação em sua rápida transmissão de mensagens. Minha preocupação basea-se lá em Marcuse estudado já na Faculdade. Ele trazia muitas questões sobre a contradição transgredida e transformada em elemento simbólico único. Ainda reverbera em minha mente o exemplo da afirmação Guerra é Paz. Isto mesmo mesmo, não Guerra e Paz, Guerra é Paz. Assisti e li na sequencia um bom filme e altanmente inteligente do escritor Jorge Orwell de título 1984. Hoje, diante de meu gabinete de psicologia pasmada com a atualidade das indagações destes autores, procuro não desistir de valores muito bem formados em mim. Sem ser retrógada, aceitando e compreendendo o desejo humano, refaço estes pensamentos de modo a perguntar-me sobre os vínculos familiares. Estes mesmos... Mãe, pai, irmão, irmã, primos e primas, vizinhos... Há uma anomia... aquilo que não é e não será nominado porque não foi amado. Amado, ou seja, significado via desejo. Este é o indivíduo que recebo em uma sessão terapêutica, sem sentido, sem desejo definido, sem direção, sem alma... Aliás, a palavra desanimado é frequente. O amor e a sua expressão deverá e deve ser discutido, debatido e exercido por todos nós. O homem nada é sem este sentimento globalizante, significante e única via capaz de equilibrar as relações humanas. Para finalizar uso as palavras de um caro e muito querido amigo, "não amamos por causa de... Amamos apesar de..."
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