sábado, agosto 08, 2009

A construção da felicidade


Às vezes, pequenos detalhes têm conseqüências de grande extensão. Por exemplo, eu devo à ausência de um coelho de chocolate o fato de não dirigir mais um Alfa Romeo. Explico: eu sempre fiquei satisfeita com o trabalho de um mecânico que trabalhava na oficina da Alfa Romeo. Um dia, soube que ele pedira demissão. “Por quê?”, perguntei, curiosa. “Mudou o proprietário da empresa e o clima não é mais o mesmo. As pessoas já não se sentem bem.”

“Mas o que está diferente agora?”, eu quis saber. “Difícil dizer. Na verdade, apenas detalhes, coisas que podem até parecer bobagem, mas fazem diferença. Antes, por exemplo, a mulher do dono da oficina sempre colocava um coelho de chocolate na caixa de ferramentas de cada um dos funcionários na época da Páscoa. Pode ser só um gesto de delicadeza, mas nessas horas percebemos que alguém ainda pensa na gente.” Eu podia jurar que a voz daquele homem com quase 50 anos estava trêmula naquele momento. Seja como for, o coelhinho da Páscoa não veio mais, o valioso mecânico foi embora e eu, diante da dificuldade de encontrar uma oficina confiável, próxima à minha casa, terminei comprando um carro novo.

Por trás dessa pequena história, há um importante objeto de pesquisa de psicólogos: a questão sobre como surgem a satisfação e a felicidade. A esperança de inúmeros estudiosos é que, se compreendermos melhor os mecanismos que possibilitam essas sensações, seremos capazes de produzir esse estado de forma objetiva em nós mesmos.

A continuação da matéria está no site da Revista Mente e Cérebro
http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/a_construcao_da_felicidade.html

Um comentário:

  1. Cris, falando sobre a essência da felicidade, recomendo dois filmes de diferentes linguagens, mas que tratam com muita sensibilidade do encontro epifânio de pessoas comuns com a felicidade: "A partida", um filme japonês vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009, e "Delírios", uma comédia norte-americana de 2006 e que passou quase despercebida pelos cinemas brasileiros. O primeiro conta a história de uma violoncelista que se vê obrigado a abandonar a música para se dedicar à preparação de defuntos para a cerimônia fúnebre. Já a comédia de Tom DiCillo narra a trajetória de uma sem-teto que se torna uma celebridade por força do destino. Em ambos os filmes, os protagonistas sentem a felicidade no inesperado. Não é o inatingível ou a fama que os torna felizes, mas algo ordinário que preenche os seus corações e que os acompanhará para além dessa vida.

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