sexta-feira, setembro 04, 2009

Aracy Guimaraes Rosa


Nasci em Rio Negro no dia da independencia do Brasil. Conta meu pai que, ao me visitar na maternidade, os ipês estavam florescidos em seu amarelo-ouro mais radiante. Na frente da maternidade na qual minha mãe estava, existe uma pracinha muito graciosa toda ladeada por ipês. Meu pai poeticamente, prestou atenção neste detalhe, quantos deixariam passar em branco. Então ao retornar para cá, comecei a reparar nos ipês e na floração em setembro, realmente, beleza radiante. Vida em plenitude. Assim também, passei a reparar em outros detalhes da cidade, inclusive em suas personalidades e descobri que, a Sra. Guimarães Rosa, nasceu aqui e como descreve o texto foi responsável por garantir muitas vidas prosseguirem em sua plenitude;
Dona Aracy, como é chamada, salvou judeus na Alemanha nazista, enfrentou as leis anti-semitas do Estado Novo, e ainda escondeu perseguidos políticos durante a ditadura militar brasileira. Enfrentou, portanto, nada menos do que três regimes autoritários, conhecidos por sua violência inclemente. Em Hamburgo, no final da década de 30, como funcionária do consulado brasileiro, ajudou refugiados judeus a saírem da Alemanha, conseguindo vistos para centenas de pessoas, apesar da lei que proibia a entrada de imigrantes judeus no Brasil. Por isso, ganhou homenagens nos Museus do Holocausto de Jerusalém e de Washington e é conhecida pela comunidade judaica de São Paulo como o “Anjo de Hamburgo”.
Aracy tinha certamente algo de Hannah Arendt, a extraordinária filósofa judia alemã, autora de Origens do totalitarismo e A condição humana, e que fez da própria vida um ato de luta contra o totalitarismo. Praticava aquilo que os alemães chamam de "amizade combatente": atuava a favor do amigo, sem esperar que este lhe pedisse ajuda.
Aracy de Carvalho Guimarães Rosa é a única mulher citada no Museu do Holocausto de Jerusalém como um dos 18 diplomatas (ou funcionários diplomáticos) que ajudaram a salvar vidas de judeus. É também o único nome de uma funcionária consular, e não de embaixador ou cônsul, o que só aumenta a dimensão do risco que correu: afinal, ela enfrentou o nazismo sem gozar das imunidades garantidas aos outros diplomatas homenageados, todos de escalões mais altos.

(fonte http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=207)
Dona Aracy tem origem alemã, como muitos aqui nesta cidade, que mais parece um pedacinho de Europa. Mas, acredito que a origem dela e de todas as mulheres que marcaram seu nome na história tem a expressão suprema do Amor em seu espírito. Portanto, amam a vida e a preservam acima de qualquer coisa.

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