sábado, novembro 21, 2009

Arthur Bispo do Rosário


Em uma ocasião de minha vida precisei de muita força para seguir em frente. Em um momento de reflexão fui sem muito esperar passear no MOM aqui em Curitiba. Minha surpresa ao me deparar com uma exposição do artista e "alienado" Arthur Bispo do Rosário. Sabem, era um destes momentos divisores de águas para mim. Eu iria encontrar mares bravios lá adiante, medo e angústias me cobriam a alma em um manto escurecido por tintas cinzentas. Neste contato com a profunda sabedoria da loucura de Bispo do Rosário, encontrei o menino que se dizia Jesus e bordava magnificamente em ponto corrente seu deslumbrante manto de menino-Deus. Homem que se protegeu da outra loucura e guardou nos muros de um hospício a sensibilidade de criança que aprendeu bordar vendo a mãe. Bordados todos para o mundo sagrado, para as procissões do menino Jesus e seu manto protetor azul-céu. Minha sensibilidade estava em risco e minha alma, naquela época, também. Percebi ali, com o alienista que a loucura é refúgio para pessoas muito sensíveis, que sentem profundo amor e ligação com a vida. A delicadeza do bordado e a ordem de seus pensamentos me deram a certeza de que não era correto chamá-lo de louco. Loucura estava do lado de fora para aquele grupo de malucos beleza expondo ali. Loucura de gente que dirige sem limites, que anda armada, que grita e bate nos filhos imputando suas frustações, seus medos e depressão, loucura de gente que trai seus princípios e vende o que lhe é mais precioso por tão pouco. Loucura está neste mundo que cobre a face e aprisiona o corpo de mulheres, que mata pacifistas e manda bater em mulheres que escrevem Cuba é uma prisão. Estou cada vez mais certa que a loucura é apenas refúgio da alma, que está quase morrendo de tanto implorar por amor.

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