terça-feira, fevereiro 09, 2010

Antes desejava seguir infinitamente adiante, para longe, longe, muito longe. Agora minha vida me diz para ficar atada em local certo e seguro. Atender as solicitações do nosso inconsciente não é de maneira nenhuma algo simples... Eu sempre fui uma resistente e, é claro, a tudo aquilo que resisto... persiste! Meus desacertos persistiram até o momento que "larguei mão". "Seja feita a sua vontade". Vivi minha crucificação, precisei olhar-me no espelho desprezando completamente aquilo que ele refletia. Lancei sobre mim todos os lutos, todas as dores as quais havia resistido. Não enviava mais nada para o mundo, para as pessoas... Eram todos destinados a mim. Aceitei minha cruz. Levei três primaveras para despertar deste longo e doloroso inverno. Inverno de fome, inverno sem esperança. Finquei meus pés no chão, nas minhas raízes, nas minhas dores mais silenciosas. Olho para esta terra, olho para este local tão ambivalente em meu pensamento e sinto certa paz. A inquietude permanece, mas, não é a mesma da adolescencia ou daquela mulher nos saltos e com o cabelo impecável. Não tenho mais do que fugir, enfrentei os meus terrores infantis. Tenho um filho em meu ventre e um projeto de educação a realizar. Alguns momentos perco a esperança e sinto medo de ser incapaz... Ter esvaziado com tantas desilusões. Mas, depois, penso nos olhinhos de meu filhinho que se abrirão para a vida. Penso no sentindo que darei a este ser em suas primeiras percepções sobre o amor. Penso em perdão, penso em outros olhos pequeninos nos quais sustentei minha cura(?). Olhinhos de meninas pequeninas que sempre buscaram meu colo côncavo. Meninas que devolveram a minha primeira infância. Bracinhos que envolvem minha barriga e beijam espontaneamente. Ahhh, minhas doces crianças. Não termino aqui este manuscrito, ele segue com esperança e amor...........................................................
Cristiane França

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