terça-feira, fevereiro 12, 2008

Meu pai, uma pessoa muito sábia, sempre foi um grande leitor. Na minha meninice fui uma ouvinte admirada de suas reflexões, geralmente durante as refeições, quando citava grandes pensadores e filósofos. Uma dessas ocasiões ficou guardada no íntimo como um verdadeiro tesouro. Tratava-se da obra Os Miseráveis de Victor Hugo (1802-1885) e as agruras passadas por seu personagem central Jean Valjean preso por roubar um pão. Comenta meu pai, na época, o quanto é infeliz um homem que não possuí um trabalho para conquistar seu pão. Há uns dias atrás outra reflexão me vem às mãos, agora de Khalil Gibran: "Trabalho é amor tornado visível". Um pouco mais recente, em uma ida ao cinema assistir "Meu nome não é Johnny" (aliás, recomendo), durante seu julgamento, a juíza pergunta ao jovem "Você trabalha em que?" (ou algo muito próximo a isso). A Gazeta do Povo, neste último domingo, publicou uma reportagem excelente (porém triste) sobre jovens e mercado de trabalho. A difícil lida dos jovens em encontrar trabalho e a desistência dos estudos. Comecei a fazer relações, links... Como abordei anteriormente o mito de Hefesto, concluí que isso também se tratava de uma rejeição na formação e orientação dos jovens a uma profissão, ou melhor, trabalho. A possibilidade de ser útil, produtivo, sentir-se respeitado e consequentemente, criar novos valores sociais perpassa pela questão do trabalho. Nosso país, acredito eu, tem continuamente através da mídia invertido valores em nossos jovens. O prazer imediato, possuir acima de ser, leis não cumpridas... Qual orientação seguir? Qual rumos tomar? O que é o trabalho na vida de um jovem das classes mais baixas? Certa de que existem programas de formação, como liceus do ofício, menor aprendiz... Mas, penso na necessidade de despertar valores, descobrir novos pesquisadores, leitores mais ávidos, pessoas que entendam que o trabalho é uma construção social e individual. Além disso, que é através do trabalho que se repensa a condição das cidades, no transporte, na saúde ... O trabalho é central na vida de um homem, deveria ser sua fonte de sobrevivência e dignidade.

Um comentário:

  1. Querida amiga, li sua reflexão sobre o trabalho e lembrei daquele filme coreano tão belo chamado "Casa Vazia" (de Kim Ki-duk). Se você se lembra, no filme o protagonista perde o trabalho e se torna "invisível" para a sociedade. E cada vez mais ele vai desaparecendo, quando perde sua liberdade e seu grande amor.

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